
THE BÁCULO PASTORAL DE FLORES DE EXEMPLOS AND THE IMPORTANCE OF EXAMPLES IN PASTORAL CARE
José Barbosa Machado*
Fechas de recepción y aceptación: 20 de octubre de 2025 y 7 de enero de 2026
DOI: https://doi.org/10.46583/specula_2026.15.1231
Resumo: O Padre Francisco Saraiva de Sousa (c. 1580 – c. 1658), licenciado em cânones pela Universidade de Coimbra, é autor do Báculo Pastoral de Flores de Exemplos, primeira e segunda partes. A primeira parte foi publicada em 1624 e a segunda em 1657. A obra é uma coleção de pequenas histórias piedosas, que servem de exemplo moral para os fiéis cristãos, traduzidas para português de uma série de obras anteriores, sobretudo em latim, de que se destacam Vitis Patrum, Speculum Exemplorum de Henrique Gran, Speculum Exemplorum de Got Schalcus e Prontuário dos Exemplos do Doutor Discípulo. No presente estudo, daremos algumas informações bibliográficas acerca das várias edições da obra, falaremos do conteúdo (estrutura, temática, fontes, etc.) e referiremos algumas características gráficas e linguísticas.
Palavras-chave: Báculo Pastoral, exemplum, Francisco Saraiva de Sousa, literatura piedosa.
Abstract: Father Francisco Saraiva de Sousa (c. 1580 – c. 1658), who held a degree in canon law from the University of Coimbra, is the author of Báculo Pastoral de Flores de Exemplos, parts one and two. The first part was published in 1624 and the second in 1657. The work is a collection of short pious stories, which serve as moral examples for the Christian faithful, translated into Portuguese from a series of earlier works, mainly in Latin, notably Vitis Patrum, Speculum Exemplorum by Henrique Gran, Speculum Exemplorum by Got Schalcus, and Prontuário dos Exemplos by Doutor Discípulo. In this study, we will provide some bibliographic information about the various editions of the work, discuss its content (structure, themes, sources, etc.), and refer to some graphic and linguistic characteristics.
Keywords: Báculo Pastoral, exemplum, Francisco Saraiva de Sousa, pious literature.
O Padre Francisco Saraiva de Sousa (c. 1580, Trancoso – c. 1658, Lisboa) é autor do Báculo Pastoral de Flores de Exemplos, uma obra em duas partes que, face ao número de edições (11 da primeira parte e 4 da segunda), poderemos afirmar que teve bom acolhimento junto do público católico português. Refere Inocêncio que “a multiplicidade de edições sucessivas desta obra é argumento incontestável da boa aceitação, que sempre mereceu” (1859, III, p. 59). Este sempre é relativo. De facto, a obra, foi esquecida e posta de parte a partir de meados do século XVIII, sobrevivendo alguns poucos exemplares nas bibliotecas. Os leitores portugueses, com o abrandamento da perseguição inquisitorial e o aumento do espírito crítico, começaram a interessar-se por outro género de obras de para formar e entreter, que foram sendo publicadas em relativa abundância, como as coletâneas de contos, os romances e as novelas ficcionais ou de cenário histórico.
A primeira parte do Báculo (passaremos assim a designar a obra para simplificar) foi publicada pela primeira vez em 1624 na cidade de Lisboa por Pedro Craesbeeck (as seguintes em 1628, 1657, 1676, 1682, 1690, 1698, 1708, 1719 e 1738).1 A segunda parte foi impressa pela primeira vez em 1657 (as seguintes em 1682, 1703 e 1708), também na cidade de Lisboa, por António Alvarez, ou seja, trinta e três anos depois de ter sido publicada a primeira parte, cerca de um ano antes da morte do autor. Esta segunda parte já estava concluída em 1650, pois a 27 de maio desse mesmo ano o Santo Ofício dava parecer positivo para a sua impressão. Demoraria mais sete anos até que o livro chegasse ao público.
O autor tinha ainda o projeto de escrever (ou publicar) uma terceira parte da obra, como refere no Exemplo XXIV do capítulo X da segunda parte: “Na terceira parte deste livro, tratarei mais copiosamente deste divino mistério na palavra Santíssimo Sacramento” (2025, p. 142). De facto, a segunda parte, sendo estruturada por ordem alfabética, termina na Humildade. Todos os conceitos teológicos iniciados por letras posteriores seriam tratados na projetada terceira parte.
As duas partes que o autor redigiu e publicou são complementares, mas com algumas diferenças. Estas refletem-se sobretudo na estrutura de cada uma. Em ambas, o autor compila histórias piedosas, que servem de exemplo moral para os fiéis cristãos. Foram, na sua maioria, traduzidas para português a partir de uma série de obras anteriores, sobretudo em latim, também elas compilações de histórias ou exemplos, desde autores romanos como Plínio e Valério Máximo, passando pela Vitis Patrum (Vidas dos Santos Padres), a Flos Sanctorum e obras mais específicas dedicadas à compilação de exemplos, como o Prado Espiritual, o Espelho Espiritual, o Promptuarium Exemplorum, o Speculum Exemplorum, de Henrique Gran, o Speculum Exemplorum de Got Schalcus, o Prontuário dos Exemplos do Doutor Discípulo e muitas outras. Nenhum exemplo é da autoria do Padre Francisco. Em praticamente todos eles, o autor dá a fonte e apresenta-os como casos verídicos, mesmo os mais mirabolantes.
A obra insere-se numa longa tradição no mundo cristão da recolha de histórias, com objetivos religiosos e/ou morais. Em Portugal, embora com objetivos diferentes e com um estilo mais para o chocarreiro, temos os Contos e Histórias de Proveito e Exemplo (1575) de Gonçalo Fernandes Trancoso (c. 1520 – c. 1584). Em Espanha, temos, entre outras, o Libro de los Exemplos por A. B. C. (início do século XV) de Clemente Sánchez de Vercial. Algumas das histórias apresentadas no Báculo aparecem também no Libro de los Exemplos de Clemente Sánchez, não querendo com isso dizer que o Padre Francisco conhecesse a obra do arcediago de Valdeiras. De facto, não há qualquer testemunho de que a obra do autor leonês, que se manteve manuscrita até ao século XIX, fosse conhecida em Portugal. Quanto aos Contos e Histórias de Proveito e Exemplo de Gonçalo Fernandes Trancoso, é muito provável que o Padre Francisco conhecesse a obra. Tanto mais que o seu autor, embora tivesse já falecido quando ele era criança, era seu conterrâneo.
Sobre a vida do Padre Francisco Saraiva de Sousa, pouco se conhece. O frontispício das várias edições da obra informa que era natural da vila de Trancoso e licenciado em cânones. Na Biblioteca Lusitana, Diogo Barbosa Machado diz que frequentou a Faculdade dos Sagrados Cânones da Universidade de Coimbra, “em que recebeu o grau de Licenciado” (1747, II, p. 259). Foi, entretanto, nomeado “Pároco de N. Senhora dos Mártires de Lisboa, e Confessor das Religiosas do Seráfico Convento de Santa Marta da mesma Cidade” (1747, II, p. 259). Nada mais se sabe sobre ele.
A primeira parte do Báculo está estruturada de acordo com o catecismo. Há capítulos dedicados às várias orações (o sinal da cruz, a ave-maria, o padre-nosso, o credo, a salve-rainha, etc.), aos mandamentos da lei de Deus, aos mandamentos da Santa Igreja, aos sete pecados mortais, aos sete sacramentos, às obras de misericórdia, às bem-aventuranças, etc. São apresentados, em cada capítulo, alguns exemplos retirados da literatura piedosa. A doutrina contida no catecismo que todos os cristãos devem saber é assim reforçada com histórias exemplares.
O autor intervém nas introduções de cada capítulo, onde explica o tema de cada um deles, e nas considerações que faz no final de alguns exemplos. Entre outras, temos as considerações sobre o sinal da cruz (2024, p. 36), sobre a virtude da humildade (2024, p. 225), sobre a virtude da liberalidade (2024, p. 236) e sobre a virtude da temperança (2024, p. 252). É através destas considerações que o autor demonstra a sua capacidade de escrita e os seus conhecimentos teológicos.
No Prólogo da primeira parte, o autor explica que a obra se destina aos pais cristãos, que devem “doutrinar seus filhos com os exemplos da doutrina cristã, e com as heroicas obras dos assinalados varões da Igreja, tão verdadeiros como proveitosos pela autoridade dos santos” (2024, p. 11). “Com pouco trabalho”, diz ele dirigindo-se aos pais, “podeis ensinar vossos filhos, deixando-lhes com tal instrução o mais nobre morgado de raiz e fixa propriedade, que vosso paternal amor lhes podia granjear” (2024, p. 11).
Sendo que a estrutura da obra se baseia no catecismo como atrás referimos, o autor serve-se da estratégia de perguntas e respostas (através das siglas P. / R.). Um hipotético leitor faz uma pergunta acerca de algum passo da doutrina e o autor responde, como no exemplo seguinte:
P. Que quer dizer gula e quando é pecado mortal ou venial? / R. Gula, conforme S. Tomás, 2.2, q. 128, art. 1, é um apetite desordenado de comer e beber, e uma gulodice insaciável, que se não contenta senão excedendo o modo à natureza. (2024, p. 247)
Abaixo do título da obra, é explicada a origem dos exemplos e a utilidade do Báculo: “Colhidos de vária e autêntica história espiritual sobre a doutrina cristã, utilíssimo para todo o cristão que procurar salvar-se e instruir seus filhos com bons exemplos” (2024, p. 9).
O autor refere-se aos relatos que vai transcrevendo com o termo genérico de exemplo / exemplos. Mas também utiliza os termos história / histórias e caso / casos. Apenas uma vez se refere a contos, para os diferenciar das histórias [pretensamente] verdadeiras que apresenta: “Tãopouco não fez mais caso delas, que se foram contos e histórias de meninos” (2024, p. 158).
No início de cada exemplo que apresenta, o autor cita a fonte donde o retirou e traduziu: “A este propósito folguei de achar uma história breve no Prado Espiritual das Flores, de Henrique Gran libr. 4. cap. 102” (2024, p. 54); “Lembra-me a este propósito uma história, que achei em Speculum exemplorum, verbo homicidium, tom. 1. exemplo 1. O autor é Got Schalcus Holon da Ordem dos Eremitas de Santo Augustinho serm. 99. lit. D.” (2024, p. 120); “Conta S. Pedro Damião, tom. 3, Epist. 2, dos Santos Padres, fol. 6672, que o bispo de Óstia deixou o bispado pela pouca reverência e respeito que seus súbditos lhe tinham, não lhe obedecendo” (2024, p. 158); etc. Algumas das citações são em segunda mão: “E afirma Ireneu, referido por Eusébio Nicéforo, que em seu tempo levavam à igreja os mortos” (2024, p. 157).
Ainda no que se refere às citações, o autor tem o cuidado de informar que algumas das histórias se repetem em vários autores e obras: “Escreve-a S. Gregório nos seus Diálogos c. 7. l. 3. refere-se em Speculum exemplorum, verbo Crucis, signum, exemplo 2. tom. 2” (2024, p. 32); “A este propósito conta S. Gregório Turonense, lib. 1, cap. 31; dele o tomou o cardeal Barónio, tit. 7, p. 605 e outros, como Til Magno nas Colações Sagradas, lib. 7, cap. 22” (2024, p. 55); “Primeiramente conta-se em um livro chamado Scala Caeli de João Júnior, refere-se em Speculum Exemplorum, exemplo 26, verbo Confissão” (2024, p. 308).
A segunda parte da obra foi escrita em Lisboa, como o próprio autor refere: “Pode ser que hoje, em esta cidade de Lisboa, hajam semelhantes culpas, e mais passam sem castigo” (2025, p. 181); “É certo que muitas vezes vejo nesta cidade de Lisboa o pouco caso que se faz de um sacerdote, quando tem algum requerimento, ou negócio diante dos seculares” (2025, p. 193).
Esta segunda parte está organizada por temas dispostos alfabeticamente: Capítulo I: Abstinência; Capítulo II: Agradecimento; Capítulo III: Amizade; indo até ao conceito Humildade no Capítulo XXVI, como já referimos. Abaixo do título da obra, é explicada a origem dos exemplos – “Colhidos de vária e autêntica história espiritual sobre a Doutrina Cristã” (2025, p. 9) –, sendo-lhe retirada a referência, presente na primeira parte da obra, à utilidade do Báculo.
A questão da utilidade, ou finalidade, vai, no entanto, sendo referida ao longo da obra, quando o autor sugere ao leitor o proveito que poderá colher de determinado exemplo: “Muitas flores de exemplos se podem colher desta história” (2025, p. 48); “Daqui podeis colher flores de exemplos” (2025, p. 105); “Temos dito da virtude da castidade bastantes exemplos, e muitos mais contam as histórias sobre esta matéria. Porém, se colhermos os frutos das flores destes que ouvistes, estejamos certos que Deus nos dará o prémio” (2025, p. 107-108).
O Prólogo, dirigido ao “católico leitor”, um termo genérico, já não refere particularmente os pais e os filhos. Contudo, excecionalmente, no capítulo XXII, o Padre Francisco dirige-se a um leitor que, pelo contexto, percebemos ser um clérigo:
Muitas e mui misteriosas coisas dizem os santos desta virtude, e a Sagrada Escritura, e se vossa reverência me der licença, digamos ambos cada um uma sentença. Muito contentamento e alegria recebe minha alma de vos ver curioso e tão douto, dais a entender que vos aproveitastes da doutrina do Báculo Pastoral na primeira parte. (2025, p. 223)
Quer-nos, pois, parecer que o Padre Francisco, nesta segunda parte, teve em mente como leitor ideal (que se poderá contrapõe ao público em geral) os clérigos, embora no final fale de “todo o cristão” (2025, p. 281).
O autor demostra alguma humilitas, aliás habitual nos autores da época, para se salvaguardar de críticas e de possíveis aborrecimentos advindos da censura inquisitorial, na época bastante intolerante perante os desvios daquilo que se entendia ser a ortodoxia católica: “E se neste tratado escrevi por ignorância e fraqueza de entendimento contra nossa fé e bons costumes alguma coisa, daqui o hei por não dito, e se tome a correição da Santa Madre Igreja, nossa mãe” (2025, p. 144). Nas últimas palavras do livro, insiste: “E se aqui por ignorância minha está alguma coisa contra a nossa santa fé ou bons costumes, hei-a por não dita, e remeto-me em tudo à correição da Santa Madre Igreja” (2025, p. 281).
Seguindo a prática da primeira parte, o autor apresenta também algumas perguntas e respostas, como uma espécie de diálogo entre autor e leitor. É o caso do início do capítulo XXII, sobre a fé católica: “Pregunto. Que coisa é fé? / Resposta 1. Fé é uma sustância das coisas que se esperam e um argumento das coisas que não se veem” (2025, p. 223). No fim do diálogo, o autor conclui: “Muito me edificou e alegrou ver que vos tendes aproveitado da doutrina da primeira parte deste livro, pelo que me obrigais a vos contar algumas histórias exemplares sobre esta virtude da santa fé” (2025, p. 223).
A extensão dos capítulos varia bastante, podendo conter entre um exemplo apenas até vinte ou trinta. O capítulo mais curto é o XIX, sobre a discórdia, ocupando cerca de três páginas e apenas com um exemplo ilustrativo. O capítulo VIII, “da castidade”, com 37 exemplos é o mais extenso, o que nos faz concluir que o tema “da castidade”, ou é obsessivo no autor, ou este lhe dá primordial importância. Os exemplos fazem transparecer a repulsa maniqueísta ao sexo e são misóginos, contrários ao amor cristão, integrando-se nas ideias morais e religiosas da época. Veja-se o caso de São Bernardino, que açoitou a mulher que o tentava carnalmente no Exemplo XIX; ou o caso de S. Luís, bispo de Tolosa, que recusou beijar a mãe quando a foi visitar, porque, sendo ela também mulher, “não é lícito que quem deseja servir a Deus chegue o rosto” (2025, p. 88). Santo Agostinho serve de autoridade para a justificação da misoginia: “Seja a prática com mulheres breve, áspera e rigorosa; e assim não menos se hão de evitar as de boa fama e virtuosas, que as que o não são (diz ele). Falo com experiência, que hei visto cair por esta ocasião de conversação cedros de Líbano” (2025, p. 88). No Exemplo XXI, é de novo citado Santo Agostinho para justificar a importância do afastamento das mulheres: “é coisa mui perigosa ver uma mulher e falar-lhe, e muito mais tocá-la, ainda que não seja senão com o dedo da mão” (2025, p. 89).
No capítulo XXII, “da fé católica”, o autor critica asperamente os heresiarcas, dizendo que acabaram todos mal. Com Lutero e Calvino, para ele os mais recentes, é particularmente verrinoso. Sobre Lutero diz: “Naceu este diabólico espírito de Satanás, perverso heresiarca Martim Lutero, em uma vila do senhorio de Saxónia no ano de mil e quatrocentos e oitenta e cinco” (2025, p. 239). E conta que, “estando já graduado em Teologia, e com alguns anos de leis despois no ano de mil e quinhentos e vinte e três, deixou o hábito e se casou, ou pera melhor dizer, se amancebou com uma Catalina Borém, que também tinha sido monja professa no mosteiro de Torgóbia” (2025, p. 239). A sua morte foi bem merecida: “o malvado e pestífero Lutero, acostando-se uma noite com boa disposição, pela menhã foi achado morto, com um horrendo e admirável rosto que com medo ninguém ousava olhar pera ele” (2025, p. 240). Sobre Calvino, diz: “O malvado Calvino, sendo moço, prenderam-no pelo pecado nefando, e por ele foi castigado, pondo-lhe um ferro ardendo em seus ombros” (2025, p. 240). O seu final também não foi nada agradável: “E depois de ter semeado em França a heregia, assim como Lutero em Alemanha, veio a morrer em Génova comido de bichos despedaçando a bocados suas carnes, dizendo terríveis blasfémias” (2025, p. 240). E conclui acerca de Lutero e Calvino: “Este é o fim destes mal-aventurados, o mesmo e pior terão seus sequazes, enquanto permanecerem em seus erros” (2025, p. 240). O Padre Francisco aqui limita-se a seguir a condenação da Reforma Protestante e seus principais autores, exarada pelo Concílio de Trento.
No Exemplo VII do capítulo XIV, sobre a fortaleza, fala do valor dos portugueses: “Não escrevo aqui o ânimo e fortaleza que tiveram os nossos portugueses, e ainda hoje se mostram filhos de seus avós, pois eles foram os que sujeitaram ao império desta nossa monarquia tantos reis bárbaros e indómitos infiéis nessas partes da Índia Oriental” (2025, p. 263). E cita alguns dos heróis nacionais: “os Gamas valerosos, os Albuquerques, Mascarenhas, Ataídes, Alencastres, os Silvas e outros cujos feitos achareis nessas crónicas que escreveram da história da Índia, não me esquecendo dos ânimos valerosos dos Sousas, e dos Coutinhos, e Saldanhas. Vede Fernão Mendes Pinto e o eloquente João de Barros” (2025, p. 263).
Termina a obra falando da importância da humildade para o “levantar de estilo” de quem escreve, considerando que “nenhum livro há, por mau que seja, [que] se não tire dele algum proveito, do que espero que todo o cristão se aproveite, colhendo nesta segunda parte o fruto destas flores de exemplos” (2025, p. 281).
Os temas explorados nos exemplos das duas partes da obra são variados e estão sempre ligados ao assunto tratado pelo capítulo a que se subordinam. Os mais comuns são a cura de enfermidades; as tentações da carne de frades, freiras e mulheres casadas (os mais frequentes); o adultério; os castigos neste e no outro mundo por pecados cometidos; os demónios e os endemoninhados; as feiticeiras e seus malefícios; as almas dos falecidos que visitam os vivos; as aparições de santos em sonhos e visões; as histórias piedosas de eremitas e outros santos; as conversões, ou não, de pecadores, hereges e infiéis; os milagres devido a virtudes ou por interceção dos santos; os casos e incidentes dignos de exemplo da história greco-latina de imperadores, filósofos e outras personalidades.
Apresentamos a lista, não exaustiva, dos autores e obras citadas onde o autor foi repescar os exemplos ou deles retira alguma sentença ou comentário.
Da primeira parte, temos, entre muitos outros (referimos apenas os que são citados com mais frequência): Alberto Castellano, Beatae Mariae Virginis; Bispo Cesário, Prado Espiritual, Diálogos; Crónica de S. Francisco; Crónica dos Frades Menores; Doutor chamado Discípulo, Prontuário dos Exemplos, Hieroglíficos; Doutor Henrique Gran, Prado Espiritual das Flores, Speculum Exemplorum, Espelho dos Exemplos, Fasciculus myrrhae; Doutor João Basílio Santoro, Prado Espiritual; Eusébio, História Eclesiástica; Flos Sanctorum; Fr. Marcos de Lisboa, Crónica dos [Frades] Menores (1557-1562); Frei Bernardino de Bustos, Rosário (Rossarium Sermonium Predicabilium); Got Schalcus Holem, Speculum Exemplorum; História de S. Domingos; Histórias Eclesiásticas; Ilhescas, História Pontifical; Ivo Magno, Theatro Exemplorum; Joannes Herold, Sermões, Prontuário de Exemplos; João Enirácio, Prado Espiritual; João Júnior, Scala Coeli; Laurêncio Súrio, Vida de Santo Anselmo, Arcebispo de Cantorberi, Vida de S. Vicente Ferreira; Ludovico Blosio, Moniali Spirituali; Magnum Speculum Exemplorum; Mestre João Nider, Fortalitium; Nicolau de Lira, Postila sobre os Génesis; Padre João Rebelo, Milagres do Rosário; S. Gregório Papa, Diálogos; S. Seforino, Prado Espiritual; Santo Agostinho, De Meditatione, Cidade de Deus, Mistérios da Santíssima Trindade, Disciplina Cristã; Seraphinus Rosius, Hortulo Exemplorum; Til Magno, Colações Sagradas; Tomás de Cantiprato, Propriedades das Abelhas, Abelhas; Venerável Beda, História de Inglaterra, Vida de S. Borgunho; Vincêncio Belvacense, Espelho de Histórias; Vitas Patrum.
Da segunda parte, temos, entre outros: Adom. Martirolog.; Beda, Milagres do Corpo do Senhor; Bispo Cesário, Diálogos; Brendèbachio, Vida de São Pedro Cluniassense; Cassiano, Flores; Crónicas de S. Francisco; Eusébio Cesariense, História Eclesiástica; Henrique Gran, Flores das Abelhas; Heródoto; Histórias Pontificais; Hugo de S. Vítor, Sermones; Ilhescas, História Pontifícia; Ioannes Iunior, Scala Coeli; João Basílio, Prado Espiritual (recompilação); Laurêncio Súrio; Ludovico, História; Paládio, Lausíaca; Pedro Comestor, História Eclesiástica; Pedro Cornélio, História de Flandres; Pedro Damião; Pedro de Mariz, Diálogos de Várias Histórias;2 Pinelo, Sacramento da Comunhão; Ribadinera, Flos Sanctorum; Santo Agostinho, Cidade de Deus; Santo Antonino de Florença, Historial.; São Cipriano, Sermones; São Gregório, Diálogos; São Jerónimo, Crónicas; Speculum Exemplorum; Valério Máximo, História Imperial; Vicêncio, Espelho Espiritual; Villegas, Prompturarium Exemplorum; Vitis Patrum, Vidas dos Santos Padres; Zabélico.
Na primeira parte, o número de autores e obras citadas é maior pelo facto de esta ser mais extensa do que a segunda. Muitos dos autores e obras repetem-se na segunda parte. Deste rol, podemos concluir que o autor tinha à sua disposição uma razoável biblioteca.
Embora o Libro de los Exemplos por A. B. C. de Clemente Sánchez de Vercial não seja citado pelo Padre Francisco Saraiva de Sousa, alguns exemplos são comuns às duas obras, como já referimos. Apresentamos dois deles, para comparação: o Exemplo 240 de Clemente Sánchez e o Exemplo XXXVI do capítulo VIII, “da castidade”, do Padre Francisco, ambos traduzidos dos Diálogos de São Gregório.
Livro dos Exemplos por A. B. C. |
Segunda Parte do Báculo Pastoral de Flores de Exemplos |
Exemplo 2403 |
EXEMPLO XXXVI |
O justo e santo tem tal lugar que dele tudo pode ao diabo lançar. Conta São Gregório que Daciano, bispo de Milão, indo a Constantinopla para tratar da fé, veio à cidade de Corinto e pedia uma casa grande para repousar, pois trazia muita gente, e não a podiam encontrar. E viu uma casa grande e mandou-a aparelhar. E disseram os da cidade que não se podiam alojar ali, porque morava ali o diabo, pelo qual havia muito tempo que estava vazia. O bispo respondeu: – Pois por isso devemos alojar-nos ali para que lancemos dali o diabo. E alojou-se ali aquela noite, e quase à meia-noite o bispo, estando em sua cama folgando, veio o diabo e começou a bramir como leão, a balir como ovelha e a rosnar como asno, e a silvar como serpentes, e a grunhir como porcos, e a fazer como gatos para meter medo ao bispo santo, pois ele muito trabalha por meter medo aos homens, pois sabe que é grande remédio para estas tentações a segurança dos corações segundo se prova por este exemplo. E este santo bispo Daciano despertou aos clamores e ruídos e sem temor algum disse ao diabo: – Mesquinho, quando te aconteceu isto, tu disseste: “Põe o meu assento contra Aquilão e serei semelhante ao mui alto Deus.” E agora és semelhante aos porcos e aos gatos, e tu que querias remediar e parecer-te a Deus, segundo mereces, pioras e pareces-te às bestas. E ouvindo isto, o diabo ficou de tal maneira perturbado que nunca mais apareceu naquela casa (2025, p. 218-219). |
Como é bom para fugirem os maus e desonestos pensamentos afrontar o demónio que os traz. Em os Diálogos de São Gregório, lib. 3, cap. 4, diz que, indo à cidade de Constantinopla, chegando à cidade de Corinto e não tendo onde se aposentar nela, havia muitos anos pessoa alguma, e também porque andavam ali de contínuo os demónios, disse o santo: – Vamos a essa casa. Estando repousando nela, lá pela meia-noite começaram os demónios fazer grande matinada, arruídos, gritas e alaridos. Uns berravam como bodes, outros bramiam como leões, outros assobiavam como cobras, outros finalmente grunhiam como porcos. Acordou o santo à grita que faziam e, agastando-se contra eles, lhes disse: – Infames, porcos, sujos, desaventurados, olhai as figuras que representais, porcos, serpentes, bodes e outros animais imundos, por que quereis ser como Deus? Bem arremedais o que sois por certo. Ficaram com estas palavras tão afrontados que diz São Gregório que logo dali se foram e desapareceram, e nunca jamais tornaram àquela casa; de modo que dali por diante habitaram pessoas na casa com muita quietação (2025, p. 106-107). |
Embora o caso seja o mesmo, os dois autores traduziram-no e adaptaram-no a seu modo. A versão de Clemente Sánchez é mais longa e tem mais pormenores. Na versão do Padre Francisco, embora algum do vocabulário seja o mesmo que ocorre no primeiro, há algumas diferenças no enredo e na conclusão. É de crer que o segundo autor, ou recriou o caso, ou utilizou um original latino diferente, provavelmente não o texto dos Diálogos, mas uma versão alterada e publicada numa das compilações de exemplos que profusamente cita.
Do ponto de vista gráfico, nota-se alguma oscilação e evolução nas várias edições da primeira parte, natural numa obra que foi reimpressa onze vezes durante mais de um século (1628-1738), tendo os impressores atualizado, nalguns aspetos,4 a grafia de acordo com os usos da época. Quanto à segunda parte, não nos foi possível comparar as quatro edições, devido à escassez de exemplares. No entanto, cremos que sucedeu o mesmo, embora em menor grau.
O exemplar da segunda parte de que nos servimos, da edição de 1657 pertencente à Biblioteca Nacional de Lisboa, tem dois estilos tipográficos, o que é muito intrigante. No estilo tipográfico 1, os caracteres, mais perfeitos, são usados do fólio 1 até ao fólio 32 (cadernos: A, A2, A3, A4, B, B2, B3, B4, C, C2, C3, C4, D, D2, D3 e D4) e do fólio 35 até ao fólio 38 (cadernos: E3, E4’). No estilo tipográfico 2, os caracteres, de desenho diferente e mais gastos, são usados do fólio 33 até ao fólio 34 (cadernos: E, E2); e do fólio 39 até ao fim, com alguns fólios entremeados do estilo 1, como o 53, o 59 e o 60.
Nos fólios com o tipo de caracteres no estilo 2, surgem alguns arcaísmos e formas gráficas consideradas já na época antiquadas ou ortograficamente erradas, como pera, menhãa, molheres, auia (por havia), ora (por hora), offreceo, offrecimento, deriaõ (por diriam), fasse (por faz-se), foisse (por foi-se), dezia, cinsèra (por sincera), censual (por sensual), rezão, rezões, pertendia, sembrante, vzauam (por usavam), vejo (por veio), etc. Nos fólios com caracteres no estilo 1, tais palavras surgem com grafia mais moderna. Estas diferenças podem dever-se à possibilidade de o compositor do texto não ter sido o mesmo. Parece ser um compositor mais canhestro, menos conhecedor da língua, que escreve como fala. Mais de 70% do livro é composto nestes caracteres mais gastos. Uma das diferenças de paginação é que nos fólios compostos pelo tipo mais regular, as citações vêm à margem. Nos outros, as citações vêm integradas no texto entre parêntesis.
Do ponto de vista fonético, ocorrem alguns fenómenos nas duas partes da obra que merecem referência:
– Oscilações vocálicas entre i/e:5 adevinhando; admetidos; aduirte; alevia; arripiáraõ; arripiou; bignino; bigninos; cemeterio; ceremonias; defamadores; deligentes; descobria / discobria; despois / dispois; desposto; destintos; destributiva; dezia; diffinindo; dilicias; discoberto; discobrir; discorada; disculpa; distruição; diuido; edeficaria; geolhos / giolhos / jeolho / joelhos; hidropesia / hydropesia; impito; infidilidade; infirmidades; intendimento; latigos; legeiro; libreos (o mesmo que lebréus); liviandade / levianamente; malenconia; melhor / milhor; menina / minina; minino / menino; mininos / meninos; parlesia; permetio; premicias; princepe / principe; princepes / principes; redemidos; redemillos; redemir; redemio / redimio; redimido; tengio (o mesmo que tingiu); testimunho; traviceiro; vendimada; vendimado; vendimou-a; vezinha; vezinhos; vistio; viviráõ; vivirás; viviria; etc.
– Oscilações vocálicas entre a/o, e/a, e/o: deuação; estamago; amerela; avantejado; camera; desemparáraõ; desestrada (por desastrada); despadaçarem; fermosa; fermosissima; fermosissimo; fermoso; malencolia, malenconia; preposito; presenteiro (por prazenteiro); resvelasse (de resvalar); resvelava; resvelavaõ; terremotes; traspasso; ventagẽ; ventagem; ventajes; etc.
– Redução de ditongos -ou, -ei e -ui: froxo (por frouxo); froxidaõ; otorgasse; provera (por prouvera); arrates (por arráteis); cudado; cudarem; cudes; cudavam, cudar, cudando; etc.
– Ditongação em -ai: gainhalla; gainhado (do verbo ganhar); João de Bairros (por Barros).
– Metátese do r: atromentado,; atromentava; chalratar (por charlatar); detreminada; enterter; intredicto (por interdito); perceitos; pertençaõ (por pretensão); pertenções; pertende; pertende; pertendem; pertendemos; pertendente; pertendentes; pertenderaõ; pertendia; pertendia; porpondo; preguntou; premite; preverso; prevertidos; trociaõ; tromentos; etc.
– Síncope do -s antes de -c e -p: acrecenta; acrecentando-lhe; conciencia; concupicencia; convaleceo; crece; crecendo; crecia; deceu; deciam; florecente; floreciam; laciua; laciuo; lacivos; nace / nasce; nacem / nascem; nacer; naceram; naceria; naci; nacida; nacidos / nascidos; nasceo; neciamente; reposta (por resposta); ressucitaram; ressucitassem; ressucitou; etc.
– Betacismo: bolueo / volueo; boluendo; bibora / biuoras; inefabel; terribeis; barandas; Visantino; seuo (por sebo), etc.
A nível morfossintático, referiremos três particularidades:
– Variação na concordância de número (singular / plural) entre o sujeito, os verbos, os adjetivos e os pronomes da mesma frase. Ex.: “Ora, já que naõ queres fazer pazes cõ Deos, ao menos fazei tregoas” (1657, fol. 94); “por tanto tomay exemplo, se fores ferido com esta censura” (1738, p. 145); “Chamey-te e naõ quizestes ouvirme, antes me deixaste, e desprezaste por uma dignidade” (1738, p. 202); “Consideray tambem o que foste no nascer, e sois na vida, e na morte” (1738, p. 211); “impossivel será naõ colherdes aqui muitas flores, para arrancardes os ódios, e perdoares as injurias a vossos inimigos” (1738, pp. 341-342); “& se desconfiardes, que naõ sereis ouuido por vosso coração, não estar ainda de todo contrito, lançay maõ dos bemaventurados, pera vos serem auogados, diante de Deos” (1657, fol. 121); etc.
– Inversão da ordem sintática: “Em o mais do tempo costumaua estar em hũ horto que junto a sua casa tinha, onde passaua muitas horas em oração, & outras em cultiuar o horto, & criar hortaliças, as quaes, & o leite de hũa vaca que tambem tinha, mandaua vender a Cidade” (1657, fol. 48).
– Uso do pronome lhe no singular quando o seu antecedente está no plural: “Não sei, que me querem os homẽs, ou que mal lhe faço” (1657, fol. 85); “Respondeo, que não sómente os auia por escusos, mas que lhe daria liberdade & restituiria suas fazendas” (1657, fol. 95); “Vindo a menhãa, mandou chamar aos filhos, perguntoulhe se puserão algũa cousa na mão a seu pay quando o sepultarão” (1657, fol. 132); etc.
Ao contrário de outros países católicos, como a Espanha, a França e a Itália, onde abundam, em línguas autóctones, este género de obras piedosas, em Portugal o Báculo Pastoral de Flores de Exemplos do Padre Francisco Saraiva de Sousa é, até ao século XVIII, praticamente único no seu género.6 Talvez devido ao êxito desta obra, nenhum autor se tivesse aventurado a publicar algum outro livro de exemplos piedosos para instrução cristã.
Assim sendo, durante mais de um século, os padres e os leigos tiveram em português pouco mais que o livro do Padre Francisco, que acreditamos ter sido largamente lido e usado em casa e nas igrejas, por pais e sacerdotes, sendo o primeiro, e muitas vezes o único, entretenimento literário dos fiéis cristãos, uma vez que os textos bíblicos estavam em latim e só alguns os conseguiam ler e entender. A obra contribuiu certamente para a catequização das populações, que mais facilmente compreendiam conceitos teológicos e morais através de uma história do que por textos e sermões de teor mais abstrato, o que nos leva a concluir que o Báculo teve um importante papel na pastoral. A partir do século XIX, com a ascensão da burguesia, a literatura de ficção em prosa, em particular a novela e o romance, passou a estar mais acessível, vindo a substituir, em grande escala, a literatura piedosa dos exempla.
Passados 401 anos desde a editio princeps da primeira parte, as histórias compiladas no Báculo ainda se leem com agrado, por crentes ou não crentes, sendo uma importante fonte para o estudo e a compreensão da mentalidade do período barroco.
O autor declara que não existe nenhum conflito de interesses financeiro, pessoal, académico ou institucional que possa ter influenciado o desenvolvimento, os resultados ou a interpretação dos conteúdos apresentados no artigo intitulado “O báculo pastoral de Flores de exemplos e a importância dos exempla na pastoral”. Declara também que o artigo é resultado de uma investigação objetiva e autônoma, realizada sem condicio-nantes externos que comprometam a sua imparcialidade acadêmica.
Machado, Diogo Barbosa (1747). Bibliotheca Lusitana, tomo II. Na Officina de Ignacio Rodrigues.
Silva, Inocêncio Francisco (1859). Diccionario Bibliographico Portuguez, tomo III. Imprensa Nacional.
Sousa, Francisco Saraiva de (1624). Baculo Pastoral de Flores de Exemplos Divinos. Pedro Craesbeeck Impressor del Rey.
Sousa, Francisco Saraiva de (1657). Segunda Parte do Baculo Pastoral de Flores de Exemplos. Antonio Alvarez Impressor.
Sousa, Francisco Saraiva de (1738). Báculo Pastoral de Flores de Exemplos. Officina de Manoel Fernandes da Costa.
Sousa, Francisco Saraiva de (Ed. 2024). Báculo Pastoral de Flores de Exemplos. Edição de J. Barbosa Machado. Recursos Digitais.
Sousa, Francisco Saraiva de (2025). Segunda Parte do Báculo Pastoral de Flores de Exemplos. Edição de José Barbosa Machado. Madrid: Recursos Digitais.
Trancoso, Gonçalo Fernandes (1982). Contos & Histórias de Proveito & Exemplo (1575). Edição fac-similada da impressão de 1575. Biblioteca Nacional.
Vercial, Clemente Sánchez (2025). Livro dos Exemplos por A. B. C. Edição e tradução de José Barbosa Machado. Recursos Digitais.
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* Universidade de Tras-os-Montes e Alto Douro / Centro de Estudos em Letras (CEL). Dirección postal: Quinta de Prados, 5000-801 Vila Real, Portugal. ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6517-8948.
1 Há edições com a mesma numeração. É o caso da 10.ª de 1738. Esta seria a 11.ª, pois a de 1719 também vem como 10ª.
2 Pedro de Mariz (Coimbra, c. 1550 – Lisboa, 24 de novembro de 1615) é o único autor português citado na segunda parte. A sua principal obra é Diálogos de varia história em que sumariamente se referem muitas coisas antigas (1594), em que foi o primeiro a publicar as biografias dos monarcas lusos junto com seus retratos. Sua obra serviu de referência para diversas obras literárias, incluindo Os Doze de Inglaterra.
3 Tradução do espanhol de José Barbosa Machado.
4 É por exemplo, o uso dos ditongos nasais nos verbos (ão, aõ, am), que em edições posteriores começam a estar normalizadas, a passagem do z entre vogais em muitas das palavras para s, a atualização das formas da terceira pessoa do singular do pretérito perfeito (-eo > -eu), a redução de consoantes duplas, etc.
5 Para as referências desta parte, utilizámos as edições originais, para a primeira parte a de 1738 e para a segunda a de 1657.
6 Temos notícia de uma obra do género, mas nunca impressa, que existe manuscrita na Biblioteca Nacional de Lisboa: a Scola da doutrina christã em q[ue] se ensina o que deue saber o christaõ pera se saluar; Com exemplos sobre as materias de q[ue] trata. Composta pello Padre Joaõ da Fonsequa da Companhia de Iesvs. Mestre dos Nouiços do Collegio de Coimbra. No fim se pom exemplos varios pera varias materias, & hu[m] tratado da Oração, & outras materias espirituais. Collegio de Coimbra, 1677.